"Todos os dias o ciclo se repete, às vezes com mais rapidez, outras mais lentamente. E eu me pergunto se viver não será essa espécie de ciranda de sentimentos que se sucedem e se sucedem e deixam sempre sede no fim."





Caio Fernando Abreu






quinta-feira, 26 de maio de 2011

"Composta por urgências: minhas alegrias são intensas, minhas tristezas, absolutas. Me entupo de ausências, me esvazio de excessos. Eu não caibo no estreito, eu só vivo nos extremos."


Clarice Lispector

domingo, 22 de maio de 2011

Fluxo constante, pensamentos chegam como borboletas
Ele (a) não sabe, então ele (a) os expulsa
Algum dia ainda, ele (a) começará sua vida novamente
 Mãos sussurrantes, o (a) conduzem gentilmente para longe...


Even Flow - Pearl Jam
"Eu quero criar um caos em você, porque do caos é que nascem estrelas"

Nietzsche

quarta-feira, 18 de maio de 2011

Há tanto, tanto o que dizer e escrever. Mas as palavras são pequenas demais pra dizer o que quero, o que sinto e como sinto. Se pudesse dizer tudo, sem ter que dizer  nada...uma folha em branco e só. As vezes, a ausência de fala ou de cor é justamente por ver que falar não vai adiantar de nada, pois parece inútil falar algo para qualquer pessoa que fuja do imenso pequeno mundo delas (sim, porque se o seu mundo é diferente ele é menos interessante aos outros). E assim vamos criando bolhas pros outros e pra nós mesmos. E a cada dia tenho a certeza do quanto a raça humana é desprezível, e eu também.
Na verdade talvez seja isso mesmo. Não faço questão das pessoas. A real vontade é que elas se afastem. E só.

domingo, 15 de maio de 2011

...Like a wheel, gonna spin it
Nobody's gonna mess me 'round
I'm on the highway to hell
Highway to hell
Don't stop me..

Highway to hell - AC/DC

quarta-feira, 11 de maio de 2011

Em meu olhos

Indispostos
Disfarçados
Como ninguém sabe
Escondem a face
A mentira da cobra
No Sol
Da minha desgraça
Calor fervente
Estancamento de verão
Embaixo da escuridão
O céu parece morto
Chame meu nome
Através do grito
E eu te escutarei
Grite novamente

Buraco negro do Sol
Você não vem
levar embora a chuva?
Buraco negro do Sol
Você não vem?
Você não vem?
Você não vem?

Gaguejando
Frio e úmido
Roube o vento aquecido
Amigo cansado
Os tempos se foram
Para os homens honestos
E às vezes são tão longos
Para as cobras
Em meus sapatos
Sonâmbulo
E a minha juventude
Eu rezo para manter
O céu mandando
O inferno pra longe
Ninguém canta
Como você
Nunca Mais

Você não vem?

Pendure a minha cabeça
Afogue o meu medo
Até que todos simplesmente
Desapareçam


Você não vem?

Black hole sun - Soundgarden

domingo, 8 de maio de 2011

O caos é anterior a todos os princípios de ordem e entropia, não é nem um deus nem
uma larva, seu desejos primais englobam e definem toda coreografia possível, todos éteres
e flogísticos sem sentido algum: suas máscaras, como nuvens, são cristalizações da sua
própria ausência de rosto.
Tudo na natureza, inclusive a consciência, é perfeitamente real: não há absolutamente
nada com o que se preocupar. As correntes da Lei não foram apenas quebradas, elas
nunca existiram. Demônios nunca vigiaram as estrales, o Império nunca começou, Eros
nunca deixou a barba crescer.
Não. Ouça, foi isso que aconteceu: eles mentiram, venderam-lhe idéias de bem e mal,
infundiram-lhe a desconfiança de seu próprio corpo e a vergonha pela sua condição de
profeta do caos, inventaram palavras de nojo para seu amor molecular, hipnotizaram-no
com a falta de atenção, entediaram-no com a civilização e todas as suas emoções mesquinhas.
Não há transformação, revolução, luta, caminho. Você já é o monarca de sua própria
pele – sua liberdade inviolável espera ser completa apenas pelo amor de outros monarcas:
uma política de sonho, urgente como o azul do céu.
Agentes do caos lançam olhares ardentes a qualquer coisa ou pessoa capaz de suportar
ser testemunha de sua condição, sua febre por lux et voluptas. Estou desperto apenas
no que amo e até o limite do terror – todo o resto é apenas mobília coberta, anestesia
diária, merda para cérebros, tédio sub-réptil de regimes totalitários, censura banal e dor desnecessária.
Avatares do caos agem com espiões, sabotadores, criminosos do amor louco, nem generosos nem egoístas, acessíveis como crianças, semelhantes a bárbaros,
perseguidos por obsessões, desempregados, sexualmente perturbados, anjos terríveis, espelhos
para a contemplação, olhos que lembram flores, piratas de todos os signos e sentidos.
Aqui estamos, engatinhando pelas frestas entres as paredes da Igreja, do Estado, da Escola e da Empresa, todos os monolitos paranóicos. Arrancados da tribo pela nostalgia
selvagem, escavamos em busca de mundos perdidos, bombas imaginárias.



CAOS
Hakim Bey