"Todos os dias o ciclo se repete, às vezes com mais rapidez, outras mais lentamente. E eu me pergunto se viver não será essa espécie de ciranda de sentimentos que se sucedem e se sucedem e deixam sempre sede no fim."





Caio Fernando Abreu






sexta-feira, 30 de julho de 2010


Nada de louvar amores,




Alegrias ilusórias,



Idealizar estórias.



Quero almas sem gozos.



Gritar fatos cruéis



Que a vida nos lega: estorvos!









Meu tempo é negro: azeviche.



Trago um peito carcomido pela velhice.



Jovem com olhos em grau de senilidade!



Corpo, sem cicatrizes.



Tenho marcas na alma, no ver as coisas.





Não na idade!



Por Fernanda Passos

domingo, 25 de julho de 2010

"E pior do que a saudade do que se perdeu é a saudade do que poderia ter sido e não foi; Das cartas que poderiam ter sido escritas e não foram; Do beijo roubado que não se roubou; Do abraço acolhedor de dores que não foi dado; Das mãos entrelaçadas que não entrelaçaram-se; Dos destinos que se cruzaram mas que não se ligaram..
E essa coisa [ou dor como queiram meus pouquíssimos ou nenhum leitor] não tem nome: não é saudade visto que saudade tem-se do que se foi e não do que não passou de um sonho rabiscado nas páginas negras, borrosas, envelhecidas e cansadas perdidas na escuridão da minha alma"

sexta-feira, 16 de julho de 2010


"Olha, eu estou te escrevendo só pra dizer que se você tivesse telefonado hoje eu ia dizer tanta, mas tanta coisa. Talvez mesmo conseguisse dizer tudo aquilo que escondo desde o começo, um pouco por timidez, por vergonha, por falta de oportunidade, mas principalmente porque todos me dizem que sou demais precipitado, que coloco em palavras todo o meu processo mental (processo mental: é exatamente assim que eles dizem, e eu acho engraçado) e que isso assusta as pessoas, e que é preciso disfarçar, jogar, esconder, mentir. Eu não queria que fosse assim. Eu queria que tudo fosse muito mais limpo e muito mais claro, mas eles não me deixam, você não me deixa"

domingo, 11 de julho de 2010

x_O

e quando as forças sessam?..


e quando a dor tirou de ti toda a fé?..


e fostes condenado a não crer..


é..fácil não tentar..


é difícil não crer


e o mais difícil é saber que nada é o que parece ser..


e que tudo na vida acaba..é o ciclo eterno..é o ciclo da vida..da morte


Tudo tem um começo, tudo tem um fim..e tudo recomeça..


Mas tudo sempre se vai...sempre..


e as flores sempre morrem


os sentimentos morrem..


as pessoas mudam..você muda..e nada é eterno!!


Nada..






segunda-feira, 28 de junho de 2010


"Pessoas acreditavam que quando alguém morria um corvo carregava a alma para a terra dos mortos. E às vezes, só as vezes o corvo pode trazer a alma de volta para consertar as coisas, o direito de coisas."

sexta-feira, 25 de junho de 2010

Odeio


Não suporto mais eles falam e nada dizem julgam e nada sabem nada nada de ninguém e não suporto ter que ouvir ouvir por isso agora finjo as 24 horas do dia sim 24 horas e exceções com uma ou duas pessoas e se me perguntar se sou boa atriz direi que não não ainda mas em breve conseguirei plenamente ouvir e não ouvir ouvir sem que o lixo orgânico apodrecido invada meu sangue e estou estou conseguindo e e eles ouvem mas não ouvem ouvem mas não escutam e só enxergam com os olhos e só ouvem com seus ouvidos malditos e só sentem tocando com suas mãos de merda apodrecida apodrecida jurando serem limpos e quando tocam não sentem nada sentem e assim nada são nada são no topo de sua bosta flutuante se consideram reis reis da bosta e disparam seus dardos apodrecidos jurando jurando serem bons e não passam de macaquinhos lobotomizados mamulengos manipuláveis robôs jurando serem mais espertos boiando na merda de suas cabeças medíocres medíocres robôs crentes que manipulam a todos e que são mais espertos
Fuck '

sexta-feira, 18 de junho de 2010

自畫像

Reside aqui uma serpente, com mil milhas de comprimento

Enrolada sobre si mesma a mil milhas profundas

Os olhos parecem doces, ela tem olhos que parecem doces

Dura e azul, mas macia como os pés dos gatos

Fora da vista ou no elemento da luz

Ela poderia ser um demônio, ela poderia ser um anjo

Com aranhas dentro de uma visão do inferno

Sua espinha é um grito vertical

Lenta como concreto e tão borrada quanto um sonho


Ela gira ao redor e para baixo num eixo central de atrocidade

Abastecida pela inércia, pela profundidade, pelo diâmetro e pela velocidade,

Sua alma- uma ruína retorcida de desespero e dor

E as aranhas em seu interior apenas oram por chuva

Tempo de matança tempo de matança

E de orar pela chuva

A mil milhas de profundidade.

裡