[...] "O paraíso deles está repleto de horrores" [...]
"Todos os dias o ciclo se repete, às vezes com mais rapidez, outras mais lentamente. E eu me pergunto se viver não será essa espécie de ciranda de sentimentos que se sucedem e se sucedem e deixam sempre sede no fim."
Caio Fernando Abreu
Caio Fernando Abreu
quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011
segunda-feira, 31 de janeiro de 2011
O fato é que, para você, eu estou morta e enterrada há 22 anos. Matou-me naquela noite em que partiu, e no dia seguinte já era para você como se eu estivesse enterrada há mil anos. Ao longo desses anos, reconstruiu completamente sua vida como se eu nunca tivesse existido. E pra piorar represento um defunto sem a menor importância em sua vida, pois nem ao menos lhe ocorre momentos de recordações ou lembrança de pôr flores no túmulo. Tudo isso mesmo eu sendo um pedaço seu, e é por isso e por tudo o que passei por sua causa que você é tão tão desprezível e enojante.
O meu ódio não pode ser medido, eu jamais conseguirei trancrevê-lo ao papel pois, sua intensidade é inenarrável. E não pensem que estou exagerando. Costumo ser assim, extrema. Mais ódio ainda tenho por perceber que apesar de nunca ter existido pra você, mesmo assim a sua marca está em mim, imensas cicatrizes que jamais poderão ser reparadas, como um grande vaso quebrado que por mais que seja colado e remendado por diversas vezes jamais será o mesmo vaso novamente. Posso comparar também estas imensas cicatrizes como um grande ferimento à navalha em meu interior, que estão sempre lá à espreita, para sangrar novamente.
E esse ódio, esse ódio me alimenta e me impulsiona. Ouso dizer até mesmo que ódio me puxa pra realidade deste show de horrores. De alguma forma misteriosa me puxa pra superfície. A minha superfície talvez. Não sei.
O meu ódio não pode ser medido, eu jamais conseguirei trancrevê-lo ao papel pois, sua intensidade é inenarrável. E não pensem que estou exagerando. Costumo ser assim, extrema. Mais ódio ainda tenho por perceber que apesar de nunca ter existido pra você, mesmo assim a sua marca está em mim, imensas cicatrizes que jamais poderão ser reparadas, como um grande vaso quebrado que por mais que seja colado e remendado por diversas vezes jamais será o mesmo vaso novamente. Posso comparar também estas imensas cicatrizes como um grande ferimento à navalha em meu interior, que estão sempre lá à espreita, para sangrar novamente.
E esse ódio, esse ódio me alimenta e me impulsiona. Ouso dizer até mesmo que ódio me puxa pra realidade deste show de horrores. De alguma forma misteriosa me puxa pra superfície. A minha superfície talvez. Não sei.
sábado, 29 de janeiro de 2011
segunda-feira, 24 de janeiro de 2011
"Essa morte constante das coisas é o que mais dói" Caio F. Abreu
OK! Em tese. Não é fácil aprender a enxergar e aceitar o fato de que tudo tem que morrer, sempre. No final das contas fomos criados e educados durante uma vida inteira justamente para não enxergar.
Mas graças a essa morte constante...
Pessoas aparentemente importantes em nossas vidas passam a não significar nada- se é que algum dia significaram- como se nem tivessem existido. E Isso, também é grandioso!
sexta-feira, 21 de janeiro de 2011
Os humanos: Racionais ou irracionais?
- Como assim não vai acreditar? Na sua terra, vocês falam coisas que não existem? Se você diz alguma coisa é porque quer comunicar isso. Porque não acreditariam? – perguntou.
Percebi que na terra onde eu estava não existia mentira, eles não tinham nem mesmo uma palavra para isso. Comecei, então, a explicar para meu professor como era a vida no meu país.
- Os humanos contam o que chamamos de mentira, ou coisas que não são verdadeiras, para esconder erros que cometem, para iludir os outros, gabando-se de coisas que não fizeram, mas que dizem que fizeram, ou para inventar qualidades que não possuem. Quando roubam ou cometem crimes, mentem para não serem presos.
- Roubam o quê? – ele quis saber – Não existe comida suficiente?
- Temos muito mais comida do que aqui, mas trocamos a maior parte dela com outros países, que nos mandam bebidas, colares, temperos, diversas coisas desnecessárias, mas que servem para atender a ganância humana. Também temos o dinheiro, um tipo de metal que serve para comprarmos tudo o que quisermos: roupas, casas, terra, comida, bebida etc.
- Vocês precisam comprar comida e bebida?
- Sim. Só se consegue as coisas através do dinheiro. Existem ricos e pobres. Os pobres trabalham e são pagos pelos ricos, mas infelizmente, o que recebem não dá para eles comprarem nem mesmo o que comem, quanto mais um lugar adequado para viver.
- Então são os pobres que roubam comida?
- Os ricos, mestre, roubam muito mais, pois querem ter cada vez mais dinheiro, mesmo que não precisem.
Meu professor, que era um belo cavalo cinza, ficou pensativo. Em seguida, disse:
- Sabe Gulliver, seria melhor que vocês fossem irracionais como os Yahoos daqui. Vocês poderiam fazer coisas maravilhosas com a inteligência que possuem. No entanto, contam mentiras, trocam o alimento por coisas insignificantes, passam fome, exploram uns aos outros e acabam se matando por causa desse tal dinheiro que inventaram.
Envergonhado, abaixei a cabeça e disse:
- Obrigado por me receber em sua casa, mestre. Com você e sua família, aprendi a apreciar muito mais a sua raça do que a minha. Vivendo neste país, percebi que não só os houyhnhnms, mas a maioria dos animais são mais dignos do que os seres humanos.
Jonathan Swift - Viagens de Gulliver
Percebi que na terra onde eu estava não existia mentira, eles não tinham nem mesmo uma palavra para isso. Comecei, então, a explicar para meu professor como era a vida no meu país.
- Os humanos contam o que chamamos de mentira, ou coisas que não são verdadeiras, para esconder erros que cometem, para iludir os outros, gabando-se de coisas que não fizeram, mas que dizem que fizeram, ou para inventar qualidades que não possuem. Quando roubam ou cometem crimes, mentem para não serem presos.
- Roubam o quê? – ele quis saber – Não existe comida suficiente?
- Temos muito mais comida do que aqui, mas trocamos a maior parte dela com outros países, que nos mandam bebidas, colares, temperos, diversas coisas desnecessárias, mas que servem para atender a ganância humana. Também temos o dinheiro, um tipo de metal que serve para comprarmos tudo o que quisermos: roupas, casas, terra, comida, bebida etc.
- Vocês precisam comprar comida e bebida?
- Sim. Só se consegue as coisas através do dinheiro. Existem ricos e pobres. Os pobres trabalham e são pagos pelos ricos, mas infelizmente, o que recebem não dá para eles comprarem nem mesmo o que comem, quanto mais um lugar adequado para viver.
- Então são os pobres que roubam comida?
- Os ricos, mestre, roubam muito mais, pois querem ter cada vez mais dinheiro, mesmo que não precisem.
Meu professor, que era um belo cavalo cinza, ficou pensativo. Em seguida, disse:
- Sabe Gulliver, seria melhor que vocês fossem irracionais como os Yahoos daqui. Vocês poderiam fazer coisas maravilhosas com a inteligência que possuem. No entanto, contam mentiras, trocam o alimento por coisas insignificantes, passam fome, exploram uns aos outros e acabam se matando por causa desse tal dinheiro que inventaram.
Envergonhado, abaixei a cabeça e disse:
- Obrigado por me receber em sua casa, mestre. Com você e sua família, aprendi a apreciar muito mais a sua raça do que a minha. Vivendo neste país, percebi que não só os houyhnhnms, mas a maioria dos animais são mais dignos do que os seres humanos.
Jonathan Swift - Viagens de Gulliver
quinta-feira, 20 de janeiro de 2011
Ontem por milésimos de segundos pensei ter escutado a voz que dizia.. dream the crow black dream..e senti um toque em meu ombro.
Se eu pudesse voltar e fazer tudo diferente...
Teria mostrado quem realmente eu sou, ao invés de querer parecer ser quem eu não era..pensando que agradaria.
No fim nada deu certo.
E não posso voltar, ninguém pode.
Se eu pudesse voltar e fazer tudo diferente...
Teria mostrado quem realmente eu sou, ao invés de querer parecer ser quem eu não era..pensando que agradaria.
No fim nada deu certo.
E não posso voltar, ninguém pode.
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